Sexta-feira, Novembro 27, 2009
Os meus índios não dizem obrigado. Isso me tirou de dentro d'água feito um peixe que a vida inteira viveu nela. Antes eu ficava agoniado de não escutar uma palavra qualquer cada vez que fazia algo desinteressado para alguém. E, na lógica de agir como as pessoas ao meu redor, sentia um vácuo de não responder quando uma índia me entregava um prato de comida. Mas a gente se acostuma. Quando eu saio de área, fico é constrangido com essa idéia de trocar um favor por uma palavra. Eu prefiro ter de volta gratidão sincera que se expressa quando você menos espera.
Domingo, Novembro 22, 2009
Uma cidade do nada
Rua quádruplas
Retas como bússola
Cruzam-se em balões infinitos
Algumas parcas casas
Poucos carros
(Em ruas quádruplas)
Mas há arvores
E sinto que choverá
Rua quádruplas
Retas como bússola
Cruzam-se em balões infinitos
Algumas parcas casas
Poucos carros
(Em ruas quádruplas)
Mas há arvores
E sinto que choverá
Sábado, Novembro 21, 2009
É. A maior livraria da cidade tem menos livros do que eu. Na verdade não é uma livraria. É uma papelaria. Mas se chama livraria. Eu não tenho os Irmãos Kamarazov, nem eles. Tive que me satisfazer com uma biografia de Nietzsche (será que estão sobrando consoantes aí?). Algum amigo quer comprar o livro e mandar pra mim pelo correio?
Quinta-feira, Novembro 19, 2009
Ô galega
como posso me vingar
do bem que você me fez?
(Um malzinho até deve que teve,
mas saudade esquece)
Dá vontade de tempo do avesso
Lembrar que só tinha um mês só
mas com cinco meses antes
ou dois anos
(Só que o tempo só um relógio entende)
Ou vontade de esquecer futuro
Voltar fugindo correndo
(Mas vou é encher a cara com bêbados velhos desconhecidos numa cidade de estranhos)
como posso me vingar
do bem que você me fez?
(Um malzinho até deve que teve,
mas saudade esquece)
Dá vontade de tempo do avesso
Lembrar que só tinha um mês só
mas com cinco meses antes
ou dois anos
(Só que o tempo só um relógio entende)
Ou vontade de esquecer futuro
Voltar fugindo correndo
(Mas vou é encher a cara com bêbados velhos desconhecidos numa cidade de estranhos)
Cada viagem de campo que faço é um boom de postagens no blogue. Agora preocupem-se ainda mais. Me estão fazendo esperar sete dias na cidade, a procura de sintomas que indiquem que tenho, ou a falta deles que indiquem que eu não tenho, gripe suína. Aí fico aqui preso numa pequena cidade do interior do Mato Grosso. Ainda mais provinciana do que Recife. Mas vamos levando. Vou comprar uns livros pra me entreter. Vou encarar esse período como a prisão que eu esperava pra ler todos os livros grossos que nunca encararia em liberdade. (Será que vendem os Irmãos Kamarázov numa livraria dessa cidade?)
Sexta-feira, Outubro 16, 2009
Tudo nela conspirava contra a sua pequenês --
Umas vértebras que mal se tocavam
E andava quase na ponta dos pés
Com os olhos abertíssimos
Como para que os cílio estivessem mais altos.
Umas vértebras que mal se tocavam
E andava quase na ponta dos pés
Com os olhos abertíssimos
Como para que os cílio estivessem mais altos.
Quarta-feira, Setembro 30, 2009
Quinta-feira, Setembro 24, 2009
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